sábado, 4 de junho de 2011

Era de noite
mas eu não consegui chegar às estrelas

Era de dia mas não sei porquê
O Sol não me abraçou e a luz não me atravessou

Ainda sinto as texturas os sons e cheiros
Visão de um dia de Verão

Em que as possibilidades eram infindáveis

Pergunto-me:

-Ele virá outra vez?!?

-Acho que não.

Tantos destinos que toquei e nenhum me engrandeceu

Tornaram-me mais forte e amargo mas por nenhum sorri

Se ao menos ouvisse chamarem-me ao longe

Saberia que existo

mas por enquanto pareço estar só

Nunca conseguimos ver além do monte que nos enfrenta

Ousaremos subi-lo ou

cá em baixo ficaremos?

domingo, 17 de abril de 2011

Não sei como
Os caminhos cruzaram-se por instantes
O Meu e o Teu
Que das horas dos dias e dos passos outros
Pouco ou nada tinham em comum

Mas num rasto de pegadas fugazes
Encontraram-se
E assombras-me com imagens
Do que ainda não aconteceu
E agora todo o espaço entre nós é demais

Se eu soubesse pintar pintar-te-ia
Se soubesse escrever, descrever-te-ia
Mas esse sorriso diz mais do que palavras
E as tuas palavras dizem todas as minhas imagens

Desarmas a minha pose
Todos os pressupostos deste mundo
Por seres simplesmente tu
E aí apercebo-me que também
Estou contigo

Por uns momentos longos seremos felizes
Vejo-o já
Promessa de cada dia
Pequeno-almoço e amor na cama
Numa casa de madeira à beira mar
Com o Sol e a Lua por testemunhas

Mas estou atrasado
e sigo caminho

terça-feira, 5 de abril de 2011

Eu pensei que tinha tudo
no nosso abraço mudo
Mas eras água
Dum tsunami de amanhã

Vã, sempre seguindo
surgindo derrotaste o romântico em mim
foi o fim nas tuas ondas de ausência
promessas da minha demência

Inocência talvez até
De não te conhecer
Pensar-te mais
Daquilo que podias oferecer

Tinhas toda a esperança
Agora resto só eu e a minha lança
O meu instinto e cheiro de sangue
Sonhos verdes e vermelhos

Sou um carniceiro e destruo
Avanço e não recuo
Conquisto e queimo a cinzas
O chão que nunca pisas

Nada do que faças me chegará
Nada do que digas eu ouvirei
O vento sopra as nossas cinzas
Das palavras que nunca te direi

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vi-te bem
Enquanto tu não olhavas
Senti-te a cintura e o cabelo longo ondulado
Os sentimentos que havia perdido
Tu os perpetuavas
Sem saberes

Torturas-me por existires
Mesmo a meu lado
andamos na mesma rua
no mesmo passeio
separados

A chuva não nos alcançou
Debaixo do teu guarda-chuva
Um propósito criando um abraço
Involuntário teu, meu grande feito

Depois partiste como quem vai
Eu parti como quem fica
Foi estranho e irreal
A chuva apagou o fogo entre nós
Ou então foste tu

Não quero saber,
Ainda me aquece ao pensar em ti
Ainda me faz sobreviver mais um dia
Encontrar-te nestas linhas
Duma maneira que nunca serás
Porque nunca te agarrarei mais

A boa memória dos meus dedos
arranhando gentilmente o infinito
Esse quadro perfeito que se pintou
Apenas na minha imaginação
Foi-se

Não me posso esquecer de comprar mais cores
impossíveis
e tentar pintar melhor da próxima