quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vi-te bem
Enquanto tu não olhavas
Senti-te a cintura e o cabelo longo ondulado
Os sentimentos que havia perdido
Tu os perpetuavas
Sem saberes

Torturas-me por existires
Mesmo a meu lado
andamos na mesma rua
no mesmo passeio
separados

A chuva não nos alcançou
Debaixo do teu guarda-chuva
Um propósito criando um abraço
Involuntário teu, meu grande feito

Depois partiste como quem vai
Eu parti como quem fica
Foi estranho e irreal
A chuva apagou o fogo entre nós
Ou então foste tu

Não quero saber,
Ainda me aquece ao pensar em ti
Ainda me faz sobreviver mais um dia
Encontrar-te nestas linhas
Duma maneira que nunca serás
Porque nunca te agarrarei mais

A boa memória dos meus dedos
arranhando gentilmente o infinito
Esse quadro perfeito que se pintou
Apenas na minha imaginação
Foi-se

Não me posso esquecer de comprar mais cores
impossíveis
e tentar pintar melhor da próxima